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Bolsa Família: quem tem direito e como o valor é calculado

Fachada de uma casa simples em rua residencial brasileira ao entardecer, com luz dourada

Tem direito ao Bolsa Família a família com renda de até R$ 218,00 por pessoa, inscrita e com o Cadastro Único atualizado. O valor não é fixo: depende de quantas pessoas moram na casa e da idade de cada uma — e o piso de R$ 600,00 é por família, não por pessoa.

O critério é a renda por pessoa, não a renda total

Este é o primeiro ponto onde as contas erram. O limite de R$ 218,00 não é da família inteira — é por pessoa.

A conta soma toda a renda mensal dos moradores e divide pelo número de pessoas. Uma família de 4 pessoas com renda total de R$ 872,00 tem renda per capita de R$ 218,00 — no limite, com direito. A mesma renda numa família de 3 pessoas dá R$ 290,67 por pessoa, acima do teto.

Entram na conta: salários, aposentadorias, pensões, seguro-desemprego, trabalho informal, aluguéis e bolsas remuneradas. Não entram: o próprio Bolsa Família, o BPC e auxílios eventuais.

O valor depende de quem mora na casa

Não existe um "valor do Bolsa Família" — existe o valor da sua família. O programa soma três benefícios diferentes:

Benefício Valor Para quem
Renda de CidadaniaR$ 142,00Por pessoa da família
Primeira InfânciaR$ 150,00Por criança de até 6 anos e 11 meses
Variável FamiliarR$ 50,00Por criança de 7 a 18, gestante ou nutriz
Composição da família Soma dos benefícios Total recebido
2 pessoas, sem crianças R$ 284,00 R$ 600,00
4 pessoas, 2 crianças R$ 768,00 R$ 768,00
6 pessoas, 4 crianças R$ 1.252,00 R$ 1.252,00

O piso de R$ 600,00 é por família

Esta é a confusão mais frequente. O valor mínimo não se multiplica pelo número de pessoas: é o piso que a família inteira recebe quando a soma dos benefícios fica abaixo dele.

Uma família de 2 pessoas soma R$ 284,00 pelo Renda de Cidadania. Como é menos que o piso, recebe R$ 316,00 de complemento e fecha em R$ 600,00.

Uma família de 5 pessoas soma R$ 710,00 só com o Renda de Cidadania — ultrapassa o piso e não recebe complemento, mas recebe mais no total.

Por que o valor cai aos 7 anos da criança

É a segunda dúvida mais comum, e a resposta tranquiliza: a criança não perdeu o direito, mudou de benefício.

Até 6 anos e 11 meses, cada criança gera o Benefício Primeira Infância, de R$ 150,00. A partir dos 7, passa ao Variável Familiar, de R$ 50,00. A queda de R$ 100,00 aparece no mês seguinte ao aniversário.

Numa família de 3 pessoas, isso significa passar de R$ 600,00 para R$ 600,00. Quando a soma cai abaixo do piso, o complemento entra e a diferença fica menor do que a conta bruta sugere.

Conseguir emprego não corta o benefício na hora

Muita gente evita registrar um trabalho com medo de perder o benefício. A Regra de Proteção existe exatamente para isso: quem ultrapassa o limite por causa de renda nova continua recebendo metade do valor por até dois anos, desde que a renda per capita fique dentro de meio salário mínimo.

Mas há uma condição: atualizar o Cadastro Único. Omitir a renda não protege — ao contrário. O cruzamento de dados com o eSocial e o CNIS identifica o vínculo, e o resultado é bloqueio mais devolução dos valores recebidos indevidamente.

As condicionalidades e o que acontece se falhar

  • Vacinação e acompanhamento de saúde das crianças de até 7 anos.
  • Pré-natal em dia para gestantes.
  • Frequência escolar de 60% para crianças de 4 e 5 anos.
  • Frequência escolar de 75% dos 6 aos 18 anos.

O descumprimento não corta de imediato. O processo é escalonado: advertência, depois bloqueio por um mês, suspensão e só então o cancelamento. Há tempo de regularizar em cada etapa, procurando o CRAS.

Cadastro Único: a causa nº 1 de bloqueio

O cadastro precisa ser atualizado a cada dois anos, ou sempre que algo mudar: nascimento, mudança de endereço, alteração de renda ou de quem mora na casa.

Cadastro vencido é a razão mais frequente de bloqueio — e a mais simples de resolver. A atualização é gratuita, feita no CRAS do município, e não exige agendamento em boa parte das cidades.

Como entrar no programa

Não existe "inscrição no Bolsa Família". O que existe é a inscrição no Cadastro Único — a partir dela, o MDS seleciona automaticamente as famílias que se enquadram nos critérios.

  1. Procure o CRAS do seu município com documento de todos os moradores, comprovante de residência e, se houver, comprovante de renda.
  2. Faça o cadastro com o responsável familiar — precisa ser alguém com 16 anos ou mais que more na casa, preferencialmente mulher.
  3. Aguarde a seleção. Não há prazo fixo: depende do orçamento do programa e da fila de famílias com perfil semelhante.
  4. Acompanhe pelo aplicativo Bolsa Família ou pelo Cadastro Único, ambos gratuitos.

Estar no Cadastro Único não garante o benefício, mas é condição para recebê-lo. E o cadastro também dá acesso a outros programas — tarifa social de energia, isenção de taxa em concursos e o ID Jovem, entre outros.

Quando o benefício é bloqueado — e como resolver

Motivo O que fazer
Cadastro desatualizado Atualizar no CRAS — causa mais comum e mais simples
Renda acima do limite Verificar se a Regra de Proteção se aplica
Descumprimento de condicionalidade Regularizar vacinação ou frequência escolar
Divergência no cruzamento de dados Levar documentos ao CRAS para comprovar a situação real

O bloqueio é temporário e reversível. O cancelamento, não — por isso vale resolver na primeira notificação, sem esperar a próxima parcela.

Como conferir o seu caso

  1. Some a renda de todos os moradores da casa.
  2. Divida pelo número de pessoas — inclusive crianças.
  3. Compare com R$ 218,00 por pessoa.
  4. Confira a idade das crianças — até 6 ou de 7 a 18 muda o valor.
  5. Verifique o Cadastro Único pelo aplicativo ou no CRAS.

A calculadora abaixo faz a conta pela composição da sua família, mostra a memória do cálculo e avisa quando o complemento do piso entra — para você entender de onde vem cada parcela.

Perguntas frequentes

Quem tem direito ao Bolsa Família em 2026?

Famílias com renda mensal de até R$ 218,00 por pessoa, inscritas no Cadastro Único e com os dados atualizados. Some toda a renda dos moradores e divida pelo número de pessoas: se o resultado ficar dentro do limite, há direito, desde que as condicionalidades de saúde e educação sejam cumpridas.

Qual o valor do Bolsa Família?

Depende da composição da família. São R$ 142,00 por pessoa, mais R$ 150,00 por criança de até 6 anos e R$ 50,00 por criança de 7 a 18 anos, gestante ou nutriz. Uma família de 4 pessoas com duas crianças recebe R$ 768,00; uma de 6 pessoas com quatro crianças, R$ 1.252,00.

O mínimo de R$ 600 é por pessoa?

Não, é por família — e essa é a confusão mais comum. Uma família de 2 pessoas soma R$ 284,00 pelos benefícios e recebe complemento de R$ 316,00 para chegar ao piso. Já uma família de 5 pessoas ultrapassa os R$ 600,00 só com o Benefício de Renda de Cidadania.

Por que meu benefício diminuiu quando meu filho fez 7 anos?

Porque ele mudou de benefício, não perdeu o direito. Até 6 anos e 11 meses, cada criança gera R$ 150,00 do Benefício Primeira Infância. A partir dos 7, gera R$ 50,00 do Variável Familiar — diferença de R$ 100,00 que aparece no mês seguinte ao aniversário.

Se eu conseguir emprego, perco o Bolsa Família?

Não imediatamente. A Regra de Proteção permite continuar recebendo metade do valor por até dois anos, desde que a renda per capita fique dentro de meio salário mínimo. Para isso é preciso atualizar o Cadastro Único — omitir a nova renda não protege, gera bloqueio e devolução quando o cruzamento de dados identifica a divergência.

Que renda entra na conta?

Salários, aposentadorias, pensões, seguro-desemprego, trabalho informal, aluguéis e bolsas de estudo remuneradas. Não entram o próprio Bolsa Família, o BPC, auxílios eventuais e benefícios assistenciais de outros programas. A soma é de todos os moradores, dividida pelo total de pessoas.

Preciso atualizar o Cadastro Único?

Sim, a cada dois anos, ou sempre que houver mudança: nascimento, mudança de endereço, alteração de renda ou de composição familiar. Cadastro desatualizado é a principal causa de bloqueio do benefício. A atualização é gratuita e feita no CRAS do município.

O que acontece se eu não cumprir as condicionalidades?

Não há corte imediato. O processo é gradual: primeiro advertência, depois bloqueio por um mês, suspensão e só então o cancelamento. As condicionalidades são vacinação e acompanhamento de saúde das crianças de até 7 anos, pré-natal das gestantes e frequência escolar de 60% (4 e 5 anos) ou 75% (6 a 18 anos).

Fontes

Este texto tem finalidade informativa e não substitui orientação de um profissional. Regras trabalhistas podem variar por convenção coletiva da categoria e por cláusulas do contrato. Em caso de dúvida sobre o seu caso, procure o sindicato, um advogado trabalhista ou o setor de pessoal.